O reajuste salário mínimo em 2018 será o menor desde 2004

O poder de compra da população tem sido ajudado com a queda da inflação, porém o reajuste do salário em 2018 será mínimo.

O valor revisado terá um reajuste de 22 reais sobre o valor atual que é de 937 reais e passará a ser 959 reais. Essa é a menor correção já registrada desde 2004, ficando abaixo do previsto que era 42 reais de reajuste.

Criada em 2011 com vigor até 2019, a fórmula do reajuste salarial considera uma soma de variações do Índice Nacional de Preços ao Consumidor do ano anterior junto ao Produto Interno Bruto de dois anos anteriores. Como o PIB em 2016 não obteve crescimento, o reajuste do ano que vem irá levar em conta apenas a taxa do Índice Nacional de 2017. Um valor bem a baixo que o do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, pois considera um peso maior os itens alimentícios que ajudaram na deflação nos meses de julho e agosto.

O reajuste menor do salário mínimo ajudará na redução de despesas com benefícios previdenciários em 6 bilhões.

Porém para o especialista em contas públicas, Raul Veloso, essa correção baseada apenas na inflação não deverá ajudar na expansão do PIB, por não estimular o consumo. Raul acha que o reajuste não colaborará na atividade econômica por não haver aumento real. Porém como ainda vai haver ajuste pela inflação, o governo continuará com as suas despesas aumentando e a arrecadação diminuirá a um ritmo de crescimento menor que consequentemente fará o governo gastar menos.

O piso salarial menor não será suficiente no alívio do problema fiscal, e o aumento devido à baixa inflação implicará 6 bilhões a mais em despesas com a Previdência, sendo maior que a correção do INPC.

O economista e ex-diretor do Banco Central, Carlos Eduardo de Freitas, acha que qualquer reajuste do salário mínimo nesse tipo de circunstância de crise fiscal irá aumentar as despesas e a regra atual irá prejudicar as contas públicas. Ele acredita que os próximos governos precisarão propor uma lei de correção nova sobre o salário mínimo, usando a variação do PIB por pessoa dos dois anos anteriores.

Desde 2002 a valorização do salário mínimo acumulada foi de 520%, um valor duas vezes maior que o IPCA até setembro de 2017 que é de 206%